Voto de pesar aprovado no Parlamento por Francisco Pinto Balsemão

Foi com mais de um minuto de palmas que os deputados presentes na Assembleia da República aprovaram por unanimidade um voto de pesar por Francisco Pinto Balsemão falecido há uma semana, em Cascais, por causas naturais.

Com a família presente neste momento, os deputados viraram-se para a tribuna onde estavam presentes os mais próximos da família Balsemão e prestaram homenagem ao fundador da SIC e do Expresso, ele que também contribuiu decisivamente para a democracia em Portugal.

Partiu, no passado 21 de outubro, Francisco José Pereira Pinto Balsemão, aos 88 anos. Nascido em Lisboa, em 1937, a sua vida confunde-se com a própria História da democracia. Foi, aos 32 anos, Deputado à Assembleia Nacional, ainda antes da revolução de Abril, integrando o grupo da Ala Liberal. Visitou presos políticos e empenhou-se na defesa da liberdade de imprensa, de expressão, de informação e de reunião.
Em 1973, criou o “Expresso”, inspirado no exemplo da imprensa inglesa – um semanário, com uma robusta secção de economia e um inovador caderno cultural. Depois da revolução, fundou, com Sá Carneiro e Magalhães Mota, o Partido Popular Democrático, do qual se tornou primeiro militante.
Foi deputado e vice-presidente da Assembleia Constituinte. Ministro-Adjunto do primeiro Governo da Aliança Democrática, assumiu, após a tragédia de Camarate, a liderança do PPD e a chefia do VII e VIII Governos Constitucionais. Enquanto primeiro-ministro, foi um importante protagonista da revisão constitucional de 1982 e do caminho europeu de Portugal.
Foi também advogado, jornalista, professor universitário e empresário. Em 1992, fundou a Sociedade Independente de Comunicação (SIC), a primeira cadeia de televisão privada em Portugal, integrando um processo de abertura que revolucionou a indústria mediática e o entretenimento no nosso país. Permaneceu, até ao fim dos seus dias, irreverente e livre, comprometido com uma visão de país moderna, democrática, europeia e aberta, que ajudou a construir através do seu empenho nas diversas áreas.
A Assembleia da República, reunida em plenário, manifesta profundo pesar pela morte de Francisco Pinto Balsemão. À família, aos amigos e ao grupo Impresa, endereça votos de condolências. Expressa ainda a convicção de que a democracia portuguesa, na sua forma atual, muito deve ao empenho cívico, ao impulso estratégico e ao trabalho de Francisco Pinto Balsemão. Um homem que, tendo sido quase tudo o que se pode ser em democracia, foi sempre, e acima de tudo, um cidadão comprometido e exemplar.

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